AREIAS

Trabalhar com areias é como estar na praia e sentir o cheiro a maresia, é como ver as ondas do mar, e ver nascer um castelo de areia sem ser pisado, nem destruido pelas ondas do mar.







terça-feira, 3 de março de 2026

Mais um dia

03/03/2026

Noite de chuva e trovoada, e eu aqui, agora, neste momento, onde o físico está sentado e a mente voa. Tanta coisa passou, como tanta água vai no rio.
Ontem revi este blog, e deu-me saudade de quando eu estava "morta" que chegasse a casa para postar, vivia intensamente o "meu diário", adorava ler os comentários, uns mordazes outros engraçados, mas eu tinha sempre tanta matéria para colocar, e nada foi inventado, foi apenas a minha vida ou melhor retalhos da manta da minha vida.
Hoje resolvi retomar, mas falta-se tema, com tantas coisas que passaram, que aconteceram, e nada sai.
67 anos. Uma vida, nunca pensei passar dos 60 anos, não por doença, por sintomas, apenas uma meta.
Desfiz-me de tanta coisa, de dentro e de fora.
A minha tolerância à vida é muito mais calma, corre conforme Alguém, esse SER que nos comanda me diz como devo fazer, como devo andar, cabeça erguida, a roupa que me apetece, tenho que cumprir mandamentos, para puder cumprir atos, porque o dinheiro não cai como a chuva, tem que se mostrar algo, continuar a fazer algo, para continuar a viver, essa parte não é o nosso querer, é a obrigação que temos.
Conheci e desconheci pessoas durante este tempo, umas que me iludiram umas que me desiludiram, foi uma escolha muito criteriosa, que se resumiu a apenas meia dúzia.
A Noya, meu amor primeiro, já habita no céu dos patudinhos, agora existe uma Maggie meu segundo amor, uma doce princesa, que vive como quer, sem ordens, sem gritos, sem gestos bruscos, só com calma, de acordo como ela é. Ama-me, como a Noya, É maravilhoso sentir este amor, tão puro, tão honesto, tão doce, sem interesses, sem cobranças, sem retaliações, só a pureza que os animais transmitem, e o ser humano ainda não consegui essa proeza.
Como seria bom amar alguém, que nos aceitasse como somos, sem nos colocar num torno e nos moldasse, como se fossemos bonecos.
Mas isso seria pedir demasiado.
Conheci pessoas, algumas (poucas), e detestei.
Confesso que talvez a desilusão faça parte de mim, não quero perfeição, quero honestidade. Vivemos num mundo desonesto, e as pessoas já são criadas como se a desonestidade fosse uma coisa natural.
Soube o que foi amar muito, sentir aquele frio na barriga, fazer loucuras como se tivesse 15 anos, soube bem, mas a mente não tem 15 anos, e começa a perceber que os homens brincam conosco como marionetas, mentem descaradamente, num momento de loucura somos tesouros, num momento sério somos apenas aquela que cometeu loucura. E gostei de (num dado) momento de sentir-me apenas tesouro.
Até que o tesouro começou a não achar mais nada do que um simples momento, e se foi desvanecendo como areia por entre os dedos, ficou apenas a memória e o crescimento interior.
Senti-me Mulher, a fazer o que me desse na real gana, sem me importar do politicamente correto.
✈✈✈✈, senti-me livre, sem medos, apenas eu e o céu. O resto? Nada, não vale nada, valeu o crescimento, valeu o conhecimento, e mais nada.
Com os pés na terra, aconteceu o que estaria escrito que tinha que acontecer o SER maior, destina tudo e nós não nos apercebemos, até que acontece, e um de nós tinha que desaparecer para sempre, sem nos magoarmos, apenas íamos, e assim foi, ele foi e eu fiquei.
Senti pena? Sim muita pena. Acreditava no nosso caso? Não, não acreditava. Se foi bom? Sim, foi bom.
Passou.
Conheci uma pessoa. Afinal, igual a outras que já tinha conhecido. 
Por agora já chega.

Mel e ferrões para quem ler

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